A destilaria de medronho constitui o elemento fundador de toda a intervenção, assumindo-se como a origem do projeto e o ponto de convergência entre território, produção e experiência. Mais do que um edifício destinado à transformação do fruto, a destilaria afirma-se como um espaço onde se preserva e interpreta a cultura do medronho, tornando visível um saber-fazer profundamente enraizado na identidade deste território.
A implantação acompanha a topografia e estabelece uma relação direta com o medronhal, permitindo que o edifício se integre na lógica do território produtivo e minimize a transformação da morfologia natural. A construção não procura destacar-se da paisagem, mas tornar-se parte dela, prolongando a continuidade entre a atividade agrícola e o espaço construído.
O edifício organiza-se em torno do processo de destilação, articulando os espaços de receção e armazenamento do fruto, produção, envelhecimento, prova e experimentação. Esta sequência funcional transforma o percurso numa narrativa sobre a produção do medronho, permitindo que visitantes e produtores partilhem o mesmo espaço sem comprometer o funcionamento da atividade agroindustrial. A destilaria deixa, assim, de ser apenas uma infraestrutura técnica para se assumir como um lugar de conhecimento, partilha e valorização do património local.
A materialidade e a implantação refletem o caráter telúrico da atividade que o edifício acolhe. A arquitetura privilegia uma linguagem sóbria e intemporal, onde a envolvente assume um papel determinante. Os espaços interiores abrem-se pontualmente sobre o medronhal, enquadrando o território que dá origem ao produto e reforçando a consciência da ligação entre natureza, agricultura e transformação. Este percurso culmina numa plataforma suspensa que se projeta sobre a encosta como um prolongamento natural da destilaria. Suspensa sobre o medronhal, a plataforma parece levitar sobre a copa das árvores, transformando-se num miradouro privilegiado sobre a exploração agrícola. Mais do que um espaço de permanência e degustação, constitui um lugar de contemplação, onde o visitante experiencia a paisagem, os aromas e os ritmos da produção, compreendendo a profunda ligação entre o produto e o território que lhe dá origem.
A destilaria constitui igualmente o núcleo estruturador do futuro agroturismo, estabelecendo a ligação entre a exploração agrícola e a experiência dos visitantes. Toda a organização do conjunto desenvolve-se a partir deste edifício, que funciona como centro funcional, simbólico e cultural da intervenção, fazendo da arquitetura um instrumento de valorização do território e da identidade do lugar.
Localização Casa Nova da Cruz
Projeto 2021-2023
Construção –
Cliente Condado Genuíno
Área de construção 110m2
Arquitetura Daniel Pinho
Equipa Pedro Faneca
Especialidades Paulo Ferreira
Empreiteiro –
Valor de obra 1500€/m2
Fotografia © Arde atelier